sexta-feira, 26 de julho de 2013

Uma pessoa precisa de se ocupar

Continuando a esbanjar desenhos para aqui do meu caderno que agora terminou, descobri que tenho de arranjar outro hobby. Tomei consciência que, quase sem dar por isso, fiquei a ver a final do Big Brother no Domingo passado.
Se uma pessoa tem tempo para ver o Big Brother é porque tem tempo para aproveitar.
Confrontada com o evidência, a Melissa chutou a culinária. Acho pertinente a obervação, pelo menos poderei dar algum gozo à família porque os desenhos, pronto, como se vê, não servem para nada.







quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fim de Viagem

O meu caderno chegou ao fim, cheio de desenhos o que muito me alegrou. Chegar ao fim de uma coisa é sempre porreiro.
Quando penso na quantidade de frustrações que este caderno guarda fico admirado de nunca ter desistido e voltado despender o meu tempo de viagem para a Parede a ler livros. Deve ser da idade, estou mais velho e tenho mais paciência para mim e já nao me importa o resultado.
Fica aqui então uma compilação dos melhorzitos para poderem gozar à vontade.





quarta-feira, 17 de julho de 2013

Família

Sempre que o pai da Melissa vem a Portugal a vida transforma-se num correpio de refeições em grupo. Desta vez fomos até Caxias e entrámos numa pizzaria junto à praia onde se apanhava fresco e se podia ver o azul do mar e do céu.
O Gabriel não quis a cadeira dos pequeninos e sentou-se na dos grandes onde passou algum tempo a desenhar as coisas dele que geralmente têm como ponto de partida uma cara com pés e mãos.
Uma vez perguntei-lhe porque é que ele não desenha também o corpo das pessoas. Não soube responder, ficou para ali a olhar para mim e a pensar numa resposta em silêncio. Depois riu-se, claro, que é o que ele faz sempre que percebe que o estou a testar.
Guardo sempre os desenhos dele.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Boa Vida

O Gabriel adora hotéis. Fica sempre a pensar que é a casa nova. Deve gostar do estilo de vida. Piscina, almoçar e jantar sempre fora, dormir até tarde e comer até rebentar ao pequeno-almoço e, acima de tudo, não ter regras para nada.

Por isso não é de estranhar que agora, quando fomos passar fora um fim-de-semana, andasse todo contente a mexer em gavetas, armários e portas.
Foi só um fim-de-semana mas quando fizemos o check-out, ele ficou amuado e saiu contrariado com os braços cruzados e a beiça feita.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Mães que olham para os filhos a nadar

Um dos momentos mais doces da minha semana é quando o Gabriel vai à aula de natação. Todas as sextas. Adoro ficar para ali a vê-lo dar mergulhos de golfinho e a ter medo de se mandar da borda da piscina.
A professora atira-o como um boneco e aos poucos o buchas vai perdendo o receio da água. Como é muito pequeno tem dificuldade em pôr a cabeça fora de água para respirar e por isso engole muito pirolitos. Mas não é suficiente para perder a alegria de estar ali.
No fim de tomar banho e cantar no duche as músicas do Rei Leão para todo o balneário ouvir vamos comer uma pizza.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Chamam a isto flirt?

O mais certo é ter de dormir hoje no sofá quando a Melissa souber disto.
Uma das coisas fixes dos portugueses é serem um bocadinho envergonhados e isso dá jeito quando estamos num comboio a desenhar a pessoa que se senta à nossa frente. Na verdade, e porque desenho muito mal, sempre que começo um desenho tenho um medo terrível que a pessoa desenhada a determinada altura se levante para ver o fruto do meu trabalho. Seria, e porque os desenhos nem sempre ficam parecidos, uma das maiores humilhações da minha vida. Enfim, essa sensação de perigo excita-me também um bocado, não vou dizer que não e também é uma das motivações para me esforçar mais do que me esforçaria se não corresse esse risco.
No outro dia estava eu a tentar esboçar a rapariga que estava à minha frente quando ela, sentindo-se observada e desvendando o motivo, pega no telemóvel e estica-o para mim fotografando-me nos meus afazeres.
Não tive culpa de nada, que isso fique bem claro!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Felicidade dum pai que avermelhou

No outro dia descobrimos que, tirando a malta estrangeira, já ninguém apanha escaldões. Após tantos anos a bater na mesma tecla, os veraneantes chegaram à conclusão que o sol faz mesmo mal. Por isso toda a gente usa protector solar.
Os estrangeiros, por seu lado, devem ter um código qualquer entre eles em que o escaldão representa um status de classe média. Chegam ao trabalho vermelhos e toda a gente os inveja. É estúpido mas eles acham fixe à brava.
No fim-de-semana passado estivemos num sítio onde nunca tínhamos estado. Na piscina oceânica da praia grande. Foi porreiro porque o dia estava chocho, a água do mar fria como o caraças e aquela piscina foi uma boa opção para conseguirmos ir ao banho e aproveitar as mini-férias.
O Buchas é que se entreteu como um doido na piscina dos pequeninos. A água dava-lhe pelos joelhos e isso deu-nos descanso. A Melissa continuou a ler os seus The Man Booker Prices no Kobo e eu desenhei o ambiente com aguarelas e tudo.
De vez em quando aparecia o Buchas a tremer e a contar alguma coisa sobre super-heróis. Adoro quando ele treme e lhe pergunto se está com frio e ele mente-me dizendo que não, não tem frio nenhum, com medo que o tire da piscina.
Entreti-me tanto com os desenhos que no fim do dia, por ironia, fiquei todo vermelho e a noite custou-me a passar.
Mas valeu a pena.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pouca-Terra

As viagens de comboio são sempre um ponto de encontro com a melancolia. Os passageiros parecem todos desanimados e não existe na sua face um vislumbre de ânimo.
As vidas suburbanas arrastam-se lânguidas pelos dias e nem a chegada ao destino as consegue alegrar.




Turquia

Adorei estes desenhos de Harika.





domingo, 2 de junho de 2013

Companhia

Estivemos a passear por Cascais e desta vez levei comigo o diário gráfico do Buchas que comprei para ele desenhar se um dia lhe desse na gana.
No jardim da Gandarinha, ficou sentado ao meu lado e pediu para fazer um desenho. Queria desenhar os Montros e Companhia, um filme de que gosta muito e que já viu umas 50 vezes.
Disse-lhe que era fácil, que só teria de pensar nas formas geométricas do Sulley e do Mike e também na cor.
Para o Sulley escolheu um rectângulo e o azul e aconselhei-o a fazer uns riscos para fingir que era o pêlo. Para o Mike escolheu o verde e uma circunferência. Lembrei-o que o Mike tem uns corninhos em cima da cabeça e o Sulley uma cauda e que era melhor não se esquecer destes pormenores no desenho.
No fim tudo correu tudo bem e ficámos os três a olhar para o caderno do buchas e cobrimo-lo de beijos, que é a nossa forma de agradecer os seus 97cm de talento.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

A arte

Hoje fartei-me a sério do trabalho e saí mais cedo. Fui ter com o Gabriel e a Melissa e andámos por Belém a passear pelo Jardim, pelos Jerónimos e ainda deu tempo para passar pela Colecção Berardo a pedido do Gabriel que tem um fascínio algo macabro por uma instalação que por lá anda feita pelo Tony Oursler.
Enquanto estávamos sentados na Igreja dos Jerónimos, a Melissa ficou pensativa e perguntou o quão brega se pode ser para se querer casar ali.
Na colecção Berardo o Gabriel continuou fascinado pelo pequeno boneco esmagado pelas pernas dum sofá. Desta vez disse-lhe que o Boneco lhe estava a pedir para sair dali, que não o queria ali e que ele era um pateta, um palerma e que se devia ir embora.
O Gabriel ficou a olhar, assimilou e ofendido chegou-se perto e ripostou aos gritos.
- Palerma és tu, pateta!



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Passsamos imenso tempo do nosso fim-de-semana nos parques de Cascais. Ao contrário da nossa ideia de paternidade, quando a Melissa ainda estava grávida e o futuro era pintado como um anúncio de toalhitas Dodot, aquela imagem do miúdo a brincar com os outros miúdos enquanto lemos um livro no banco, descontraídos e felizes, está muito longe de corresponder à realidade. Já tentámos algumas vezes mas é muito difícil conseguirmos ter um parágrafo de descanso sem olharmos para ver o que ele anda a fazer e, principalmente, termos a certeza que não há perigo de levar com um baloiço na cabeça.
O Parque dos Sapos fica perto da nossa casa e é o nosso jardim preferido. Tem Sapos e agora também borboletas por isso é que o chamamos assim. Além disso o relvado fica mesmo em frente à esplanada o que sossega a preocupação. Vamos muito para lá mas o Gabriel não gosta de jogar à bola e desperdiça assim todo aquele relvado central impecavelmente cortado e arranjado. 
Gostava muito que o Gabriel jogasse à bola. Não por causa de poder no futuro ser um futebolista cheio de massa, mas porque é mais fácil arranjar amigos quando se dá uns pontapés. Custa-me vê-lo para ali sozinho a andar de escorrega enquanto todos os outros putos se juntam para uma peladinha.
A Melissa diz que ele precisa dum irmão e eu não sei se ela tem razão.



quinta-feira, 16 de maio de 2013

Banhos quentes

Nos dias de Verão, quando o calor aperta a sério, fazemos sempre a mesma coisa. A Melissa vai com o Buchas para a praia e deixa o carro estacionado perto da estação da Parede com os meus chinelos e calções preparados. Quando chego do comboio, perto das seis, posso então trocar de roupa no automóvel e juntar-me a eles nos banhos.
O nosso Verão parece sempre maior que o dos outros porque fazemos isso todos os dias.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Primavera

Comprei umas canetas de filtro Bic por três euros no hipermercado, fui para os jardins e pus-me a desenhar flores enquanto o Gabriel imitava o Homem de Ferro na relva.
Cheirava bem.




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Ser macho é isto

Nunca fui homem de grandes feitos na Bricolage e nestas coisas as mulheres esperam sempre ter em casa alguém parecido com o Manny Mãozinhas que lhes satisfaça todos os pedidos que envolvam um berbequim e umas coisas de plástico a que, muito carinhosamente, chamam de buchas. Com a transmissão de programas como Querida Mudei a Casa onde machos de aspecto limpinho resolvem todos os problemas, para gente como eu, habituada a nunca pegar num Black and decker tornou-se  levemente complicado enfrentar a cara metade quando esta quer, por exemplo, colocar uma simples prateleira na parede.

O recente interesse da Melissa no crescimento das plantas, obrigou-me a ter de montar uma prateleira na parede da sala. Chateou-me tanto a cabeça para montar aquilo que já não a podia ouvir mais.
Fui ver ao youtube como se fazia e pronto, despi a t-shirt e lá fiz a coisa.
Andei todo inchado durante um mês. E ela também.


domingo, 28 de abril de 2013

Teatro D Maria II

Mais uma tentativa entre os grandes.
Desta feita no Teatro D. Maria II onde passámos o Sábado todo a desenhar e a conhecer os cantos ao edifício.
Os desenhos, como seria de prever, não ficaram grande coisa, mas estes dois ainda é como outro.
Oh!




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Deixem a malta em paz

Acho que as educadoras têm uma especial atracção por lixar a vida de quem cria. Detesto trabalhos de infantário. As porcarias feitas com material reciclável e isso. Felizmente tanto eu como a Melissa concordamos em mandar tudo fora. Só ficamos com duas ou três coisas por ano, normalmente desenhos em que vimos alguma pertinência artística.
Agora que andamos à procura duma nova escola para o Buchas, a nossa escolha vai com toda a certeza recair sobre a instituição que enviar menos trabalhos de casa aos pais. Já andamos a sondar algumas.
Ainda no outro dia me contaram que um pai foi convidado ao infantário do filho para comemorar o dia da paternidade.
Depois de alguma brincadeira inicial o desafio foi lançado. Os pais tinham de fazer um desenho das suas crias. Que olhassem para elas e que fizessem o melhor que sabiam.
Foi um tormento.
Bem, seja como for, na minha casa o puto tem mais jeito que o pai.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Cada um com a sua

Esta família anda desencontrada quanto a amores e ódios.
O Fernando não gosta nada de pessoal que passa a vida em Shoppings e que facilmente embarca numa devoção inconsciente a marcas. Odeia o capitalismo e gosta de viver uma vida sem grandes responsabilidades.
A Melissa gosta muito de passear nos shoppings, ver as monstras e depositar quase todos seus momentos diários nas redes sociais, é uma esposa e mãe cheia de responsabilidade familiar, mas detesta pessoal que é nariz empinado nos seus gostos e que gasta o tempo a escolher fatos de treinos para ir a festivais de cinema.
Eu, gosto de malta com bom gosto e aprecio os fatos de treino e o ambiente dos festivais de cinema embora não suporte os posts nas redes sociais a armar ao pingarelho, do género a minha vida é melhor que a tua e tenho melhor gosto que tu. Por outro lado adorava ter um partime de mascote.
O Buchas gosta de tudo mas não suporta mascotes.

terça-feira, 12 de março de 2013

Voucher

As mulheres compram talões de desconto para cabeleireiros que não conhecem e depois o corte não fica nada de jeito e têm vergonha de mostrar o cabelo.

terça-feira, 5 de março de 2013

João

O João está sempre com sono. Mal o dia começa e se levanta da cama apetece-lhe logo voltar para ela. Não consegue trabalhar em condições porque o trabalho aborrece-o e fá-lo bocejar muitas vezes durante o dia. Sempre que vai a um sítio tratar de alguma papelada, ao banco, às finanças ou a um centro de saúde, enquanto espera pelo número da senha, adormece sentado e, de vez em quando, até deixa passar a sua vez.
Apesar de não ligar nada a desporto, no outro dia apeteceu-lhe ver um jogo de futebol. Comprou cerveja, amendoins e sentou-se no sofá. Mal o jogo começou deixou-se adormecer e já não viu nada.
O João bebe muitos cafés curtos. O médico diz-lhe para abrandar, que tanto café lhe faz mal à saúde, mas o João acha que só assim é que consegue ficar acordado e fazer as coisas que tem para fazer.
Gostava de ler mais do que lê. Mas tem pouco tempo e a mulher ofereceu-lhe um livro do Lovecraft. Durante as viagens de comboio abre-o, mas passados meia dúzia de parágrafos adormece e não consegue avançar do primeiro capítulo.
Ao fim do dia, lava os dentes e põe o despertador para as sete da manhã. Quando se deita na cama, ao contrário do que é normal, fica sem sono e não consegue adormecer. Passa a noite a revirar-se e a ver os números do despertador a correr.