No outro dia descobrimos que, tirando a malta estrangeira, já ninguém apanha escaldões. Após tantos anos a bater na mesma tecla, os veraneantes chegaram à conclusão que o sol faz mesmo mal. Por isso toda a gente usa protector solar.
Os estrangeiros, por seu lado, devem ter um código qualquer entre eles em que o escaldão representa um status de classe média. Chegam ao trabalho vermelhos e toda a gente os inveja. É estúpido mas eles acham fixe à brava.
No fim-de-semana passado estivemos num sítio onde nunca tínhamos estado. Na piscina oceânica da praia grande. Foi porreiro porque o dia estava chocho, a água do mar fria como o caraças e aquela piscina foi uma boa opção para conseguirmos ir ao banho e aproveitar as mini-férias.
O Buchas é que se entreteu como um doido na piscina dos pequeninos. A água dava-lhe pelos joelhos e isso deu-nos descanso. A Melissa continuou a ler os seus The Man Booker Prices no Kobo e eu desenhei o ambiente com aguarelas e tudo.
De vez em quando aparecia o Buchas a tremer e a contar alguma coisa sobre super-heróis. Adoro quando ele treme e lhe pergunto se está com frio e ele mente-me dizendo que não, não tem frio nenhum, com medo que o tire da piscina.
Entreti-me tanto com os desenhos que no fim do dia, por ironia, fiquei todo vermelho e a noite custou-me a passar.
Mas valeu a pena.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Pouca-Terra
As viagens de comboio são sempre um ponto de encontro com a melancolia. Os passageiros parecem todos desanimados e não existe na sua face um vislumbre de ânimo.
As vidas suburbanas arrastam-se lânguidas pelos dias e nem a chegada ao destino as consegue alegrar.
As vidas suburbanas arrastam-se lânguidas pelos dias e nem a chegada ao destino as consegue alegrar.
domingo, 2 de junho de 2013
Companhia
Estivemos a passear por Cascais e desta vez levei comigo o diário gráfico do Buchas que comprei para ele desenhar se um dia lhe desse na gana.
No jardim da Gandarinha, ficou sentado ao meu lado e pediu para fazer um desenho. Queria desenhar os Montros e Companhia, um filme de que gosta muito e que já viu umas 50 vezes.
Disse-lhe que era fácil, que só teria de pensar nas formas geométricas do Sulley e do Mike e também na cor.
Para o Sulley escolheu um rectângulo e o azul e aconselhei-o a fazer uns riscos para fingir que era o pêlo. Para o Mike escolheu o verde e uma circunferência. Lembrei-o que o Mike tem uns corninhos em cima da cabeça e o Sulley uma cauda e que era melhor não se esquecer destes pormenores no desenho.
No fim tudo correu tudo bem e ficámos os três a olhar para o caderno do buchas e cobrimo-lo de beijos, que é a nossa forma de agradecer os seus 97cm de talento.
No jardim da Gandarinha, ficou sentado ao meu lado e pediu para fazer um desenho. Queria desenhar os Montros e Companhia, um filme de que gosta muito e que já viu umas 50 vezes.
Disse-lhe que era fácil, que só teria de pensar nas formas geométricas do Sulley e do Mike e também na cor.
Para o Sulley escolheu um rectângulo e o azul e aconselhei-o a fazer uns riscos para fingir que era o pêlo. Para o Mike escolheu o verde e uma circunferência. Lembrei-o que o Mike tem uns corninhos em cima da cabeça e o Sulley uma cauda e que era melhor não se esquecer destes pormenores no desenho.
No fim tudo correu tudo bem e ficámos os três a olhar para o caderno do buchas e cobrimo-lo de beijos, que é a nossa forma de agradecer os seus 97cm de talento.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
A arte
Hoje fartei-me a sério do trabalho e saí mais cedo. Fui ter com o Gabriel e a Melissa e andámos por Belém a passear pelo Jardim, pelos Jerónimos e ainda deu tempo para passar pela Colecção Berardo a pedido do Gabriel que tem um fascínio algo macabro por uma instalação que por lá anda feita pelo Tony Oursler.
Enquanto estávamos sentados na Igreja dos Jerónimos, a Melissa ficou pensativa e perguntou o quão brega se pode ser para se querer casar ali.
Na colecção Berardo o Gabriel continuou fascinado pelo pequeno boneco esmagado pelas pernas dum sofá. Desta vez disse-lhe que o Boneco lhe estava a pedir para sair dali, que não o queria ali e que ele era um pateta, um palerma e que se devia ir embora.
O Gabriel ficou a olhar, assimilou e ofendido chegou-se perto e ripostou aos gritos.
- Palerma és tu, pateta!
Enquanto estávamos sentados na Igreja dos Jerónimos, a Melissa ficou pensativa e perguntou o quão brega se pode ser para se querer casar ali.
Na colecção Berardo o Gabriel continuou fascinado pelo pequeno boneco esmagado pelas pernas dum sofá. Desta vez disse-lhe que o Boneco lhe estava a pedir para sair dali, que não o queria ali e que ele era um pateta, um palerma e que se devia ir embora.
O Gabriel ficou a olhar, assimilou e ofendido chegou-se perto e ripostou aos gritos.
- Palerma és tu, pateta!
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Passsamos imenso tempo do nosso fim-de-semana nos parques de Cascais. Ao contrário da nossa ideia de paternidade, quando a Melissa ainda estava grávida e o futuro era pintado como um anúncio de toalhitas Dodot, aquela imagem do miúdo a brincar com os outros miúdos enquanto lemos um livro no banco, descontraídos e felizes, está muito longe de corresponder à realidade. Já tentámos algumas vezes mas é muito difícil conseguirmos ter um parágrafo de descanso sem olharmos para ver o que ele anda a fazer e, principalmente, termos a certeza que não há perigo de levar com um baloiço na cabeça.
O Parque dos Sapos fica perto da nossa casa e é o nosso jardim preferido. Tem Sapos e agora também borboletas por isso é que o chamamos assim. Além disso o relvado fica mesmo em frente à esplanada o que sossega a preocupação. Vamos muito para lá mas o Gabriel não gosta de jogar à bola e desperdiça assim todo aquele relvado central impecavelmente cortado e arranjado.
Gostava muito que o Gabriel jogasse à bola. Não por causa de poder no futuro ser um futebolista cheio de massa, mas porque é mais fácil arranjar amigos quando se dá uns pontapés. Custa-me vê-lo para ali sozinho a andar de escorrega enquanto todos os outros putos se juntam para uma peladinha.
A Melissa diz que ele precisa dum irmão e eu não sei se ela tem razão.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Banhos quentes
O nosso Verão parece sempre maior que o dos outros porque fazemos isso todos os dias.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Primavera
Comprei umas canetas de filtro Bic por três euros no hipermercado, fui para os jardins e pus-me a desenhar flores enquanto o Gabriel imitava o Homem de Ferro na relva.
Cheirava bem.
Cheirava bem.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Ser macho é isto
Nunca fui homem de grandes feitos na Bricolage e nestas coisas as mulheres esperam sempre ter em casa alguém parecido com o Manny Mãozinhas que lhes satisfaça todos os pedidos que envolvam um berbequim e umas coisas de plástico a que, muito carinhosamente, chamam de buchas. Com a transmissão de programas como Querida Mudei a Casa onde machos de aspecto limpinho resolvem todos os problemas, para gente como eu, habituada a nunca pegar num Black and decker tornou-se levemente complicado enfrentar a cara metade quando esta quer, por exemplo, colocar uma simples prateleira na parede.
O recente interesse da Melissa no crescimento das plantas, obrigou-me a ter de montar uma prateleira na parede da sala. Chateou-me tanto a cabeça para montar aquilo que já não a podia ouvir mais.
Fui ver ao youtube como se fazia e pronto, despi a t-shirt e lá fiz a coisa.
Andei todo inchado durante um mês. E ela também.
domingo, 28 de abril de 2013
Teatro D Maria II
Mais uma tentativa entre os grandes.
Desta feita no Teatro D. Maria II onde passámos o Sábado todo a desenhar e a conhecer os cantos ao edifício.
Os desenhos, como seria de prever, não ficaram grande coisa, mas estes dois ainda é como outro.
Oh!
Desta feita no Teatro D. Maria II onde passámos o Sábado todo a desenhar e a conhecer os cantos ao edifício.
Os desenhos, como seria de prever, não ficaram grande coisa, mas estes dois ainda é como outro.
Oh!
quinta-feira, 18 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Deixem a malta em paz
Acho que as educadoras têm uma especial atracção por lixar a vida de quem cria. Detesto trabalhos de infantário. As porcarias feitas com material reciclável e isso. Felizmente tanto eu como a Melissa concordamos em mandar tudo fora. Só ficamos com duas ou três coisas por ano, normalmente desenhos em que vimos alguma pertinência artística.
Agora que andamos à procura duma nova escola para o Buchas, a nossa escolha vai com toda a certeza recair sobre a instituição que enviar menos trabalhos de casa aos pais. Já andamos a sondar algumas.
Ainda no outro dia me contaram que um pai foi convidado ao infantário do filho para comemorar o dia da paternidade.
Depois de alguma brincadeira inicial o desafio foi lançado. Os pais tinham de fazer um desenho das suas crias. Que olhassem para elas e que fizessem o melhor que sabiam.
Foi um tormento.
Bem, seja como for, na minha casa o puto tem mais jeito que o pai.
Agora que andamos à procura duma nova escola para o Buchas, a nossa escolha vai com toda a certeza recair sobre a instituição que enviar menos trabalhos de casa aos pais. Já andamos a sondar algumas.
Ainda no outro dia me contaram que um pai foi convidado ao infantário do filho para comemorar o dia da paternidade.
Depois de alguma brincadeira inicial o desafio foi lançado. Os pais tinham de fazer um desenho das suas crias. Que olhassem para elas e que fizessem o melhor que sabiam.
Foi um tormento.
Bem, seja como for, na minha casa o puto tem mais jeito que o pai.

quarta-feira, 20 de março de 2013
Cada um com a sua
Esta família anda desencontrada quanto a amores e ódios.
O Fernando não gosta nada de pessoal que passa a vida em Shoppings e que facilmente embarca numa devoção inconsciente a marcas. Odeia o capitalismo e gosta de viver uma vida sem grandes responsabilidades.
A Melissa gosta muito de passear nos shoppings, ver as monstras e depositar quase todos seus momentos diários nas redes sociais, é uma esposa e mãe cheia de responsabilidade familiar, mas detesta pessoal que é nariz empinado nos seus gostos e que gasta o tempo a escolher fatos de treinos para ir a festivais de cinema.
Eu, gosto de malta com bom gosto e aprecio os fatos de treino e o ambiente dos festivais de cinema embora não suporte os posts nas redes sociais a armar ao pingarelho, do género a minha vida é melhor que a tua e tenho melhor gosto que tu. Por outro lado adorava ter um partime de mascote.
O Buchas gosta de tudo mas não suporta mascotes.
terça-feira, 12 de março de 2013
Voucher
As mulheres compram talões de desconto para cabeleireiros que não conhecem e depois o corte não fica nada de jeito e têm vergonha de mostrar o cabelo.
terça-feira, 5 de março de 2013
João
O João está sempre com sono. Mal o dia começa e se levanta da cama apetece-lhe logo voltar para ela. Não consegue trabalhar em condições porque o trabalho aborrece-o e fá-lo bocejar muitas vezes durante o dia. Sempre que vai a um sítio tratar de alguma papelada, ao banco, às finanças ou a um centro de saúde, enquanto espera pelo número da senha, adormece sentado e, de vez em quando, até deixa passar a sua vez.
Apesar de não ligar nada a desporto, no outro dia apeteceu-lhe ver um jogo de futebol. Comprou cerveja, amendoins e sentou-se no sofá. Mal o jogo começou deixou-se adormecer e já não viu nada.
O João bebe muitos cafés curtos. O médico diz-lhe para abrandar, que tanto café lhe faz mal à saúde, mas o João acha que só assim é que consegue ficar acordado e fazer as coisas que tem para fazer.
Gostava de ler mais do que lê. Mas tem pouco tempo e a mulher ofereceu-lhe um livro do Lovecraft. Durante as viagens de comboio abre-o, mas passados meia dúzia de parágrafos adormece e não consegue avançar do primeiro capítulo.
Ao fim do dia, lava os dentes e põe o despertador para as sete da manhã. Quando se deita na cama, ao contrário do que é normal, fica sem sono e não consegue adormecer. Passa a noite a revirar-se e a ver os números do despertador a correr.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Meter conversa
De vez em quando acontece-me. Por uma conjugação de factores infelizes fico sozinho na cidade sem nada para fazer e com muitas horas para desperdiçar.
Em condições normais não haveria problema. Podia ir ao cinema, a uma exposição ou outra coisa qualquer, mas não desta vez. Desta vez não podia fazer nada disso, tinha mesmo de deambular por aí.
Fui para um Starbucks e fiquei lá a bebericar um balde de café e a desenhar as outras pessoas, que tal como eu pareciam esperar que alguma coisa acontecesse.
Ao meu lado uma rapariga estava à espera dum amigo e um tipo desconhecido chegou-se perto dela e disse:
“Estou aqui à espera duns amigos meus, mas não tenho nada para fazer na próxima meia hora. Importas-te que me sente aqui e te faça companhia?”
A rapariga, com algumas reservas, aceitou e o tipo sentou-se e iniciou a conversa mais chata e desinteressante que se pode parir quando dois desconhecidos se encontram. Se calhar não, pode ser que dois desconhecidos tenham mesmo esse tipo de conversa, mas pensando bem, o que raio se conversa quando não se tem referências sobre a outra pessoa?
Provavelmente a conversa até foi porreira, eu é que tive inveja de não fazer isso com as miúdas aos 20 anos.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Mães que participam
As crianças são uma coisa boa e até, em certas condições, um regalo para alma. Mas eu não sou o melhor exemplo para escrever sobre crianças porque, na verdade, e para ser honesto com todos os que têm a amabilidade de seguirem estas linhas, só gosto mesmo do meu Buchas.
No entanto, e se for a fundo nesta questão referente à infância e comportamento infantil, o que me aborrece mesmo são os pais. Tenho de confessar que não suporto pais, principalmente quando acham que as suas crias são maravilhosas e melhores do que todas as outras e fazem questão de o demonstrar nas actividades lúdicas em que se metem. Não sou ninguém para criticar seja quem for, até porque eu não devo ser o melhor exemplo que se pode encontrar no mundo sobre paternidade, o Gabriel está sempre a dizer “não diz medra pai”, mas irritam-me mesmo as mulheres que eu e a Melissa chamamos muito carinhosamente de mães que participam.
É que gostam tanto de participar que nem deixam os miúdos fazer as coisas!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
A 10ª é por nossa conta
Já chega de cartões não chega?
Gostava de poder fazer uma compra e que houvesse a boa vontade de antigamente, uma atençãozinha, que era aquilo que a minha mãe pedia sempre nas sapatarias, prontos a vestir e lojas de electrodomésticos, quando as lojas existiam nas ruas e não havia códigos de barras nas etiquetas.
Agora até o raio das cadeias de fast food têm o seu cartão. Estou mesmo farto de ter a carteira pesada com as mirabolantes exigências competitivas das multinacionais.
Embora, para ser sincero, o único cartão que dava mesmo jeito, era aquele em que, se os pais fizessem vá, 9 vontades aos seus filhos, eles ofereciam um dia sossegado aos progenitores.
Era mesmo bom ter um dia em que o Buchas comesse tudo, sem fazer perguntas, sem birras, sem desarrumar nada e sem hiperactividade desnecessária. Sem barulho, sem rotinas, sem nada, só o silêncio aconchegante duma casa de família.
Gostava de poder fazer uma compra e que houvesse a boa vontade de antigamente, uma atençãozinha, que era aquilo que a minha mãe pedia sempre nas sapatarias, prontos a vestir e lojas de electrodomésticos, quando as lojas existiam nas ruas e não havia códigos de barras nas etiquetas.
Agora até o raio das cadeias de fast food têm o seu cartão. Estou mesmo farto de ter a carteira pesada com as mirabolantes exigências competitivas das multinacionais.
Embora, para ser sincero, o único cartão que dava mesmo jeito, era aquele em que, se os pais fizessem vá, 9 vontades aos seus filhos, eles ofereciam um dia sossegado aos progenitores.
Era mesmo bom ter um dia em que o Buchas comesse tudo, sem fazer perguntas, sem birras, sem desarrumar nada e sem hiperactividade desnecessária. Sem barulho, sem rotinas, sem nada, só o silêncio aconchegante duma casa de família.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Do caraças
O que será do cinema quando as pessoas ficarem a saber que em para aí 95% dos filmes se conta sempre a mesma história. É isso que acontece, pelo menos nos Blockbusters. Sempre o mesmo, como as novelas. Disseram-me que os putos têm tendência a gostar de ouvir a mesma história porque se sentem confortáveis nela. Sim, os putos, como se os adultos não gostassem dum bom e suculento replay. Há quem diga, com razão que pode ser sempre a mesma coisa, mas a forma de a contar é diferente. É verdade mas quando se passa a vida a ver filmes, topa-se logo a coisa.
Mas nos documentários as histórias parecem ser sempre diferentes. Não têm de ter finais felizes e melhor de tudo, correspondem quase sempre a um episódio verdadeiro, com gente de carne e osso que tem comportamentos humanos, falíveis ou heroicos.
Eu a Melissa tivemos um fim-de-semana recheado a documentários que nos deixaram de olhos arregaçados de tão bons que eram. Havia twists e tudo. Os nomes deles são Searching for sugar men e The Imposter, ambos do ano passado e que, muito provavelmente, nunca chegarão às salas de cinema. Por isso, para quem se sinta curioso, pode sempre optar por os procurar na candonga.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Pássaros chateados
Depois de muitas colheres de sopa de xarope, a Melissa e o Buchas ficaram melhores das suas doenças e finalmente poderam sair de casa para um passeio em família. Já me faziam falta.
No Domingo o dia estava soalheiro e fomos andar de bicicleta para o paredão. Já não desenhava há algumas semanas e apesar do mundo da arte não ter perdido nada com isso, sentia falta dos meus traços infantis e de me sentir decepcionado ou motivado por eles.
Sentados na esplanada, tirei o caderno da mala. A ideia era fazer uma coisa simples, o mar, o céu, as rochas e os barcos lá ao fundo, tudo enquanto bebia um café. Havia um sentimento bom no ar, estava muita gente a andar dum lado para o outro, a fazer exercício, a passear os cães ou só a namorar à beira mar. É bom quando o sol aparece depois duma semana a chover.
O meu momento artístico coincidiu com o Buchas fartar-se de pedalar e de se esconder dos cães que apareciam a meter-se com ele. Foi para o pé de mim e começou a opinar. Queria o pássaro vermelho, o amarelo e o pocro dos angry birds.
Fiz-lhe a vontade.
No Domingo o dia estava soalheiro e fomos andar de bicicleta para o paredão. Já não desenhava há algumas semanas e apesar do mundo da arte não ter perdido nada com isso, sentia falta dos meus traços infantis e de me sentir decepcionado ou motivado por eles.
Sentados na esplanada, tirei o caderno da mala. A ideia era fazer uma coisa simples, o mar, o céu, as rochas e os barcos lá ao fundo, tudo enquanto bebia um café. Havia um sentimento bom no ar, estava muita gente a andar dum lado para o outro, a fazer exercício, a passear os cães ou só a namorar à beira mar. É bom quando o sol aparece depois duma semana a chover.
O meu momento artístico coincidiu com o Buchas fartar-se de pedalar e de se esconder dos cães que apareciam a meter-se com ele. Foi para o pé de mim e começou a opinar. Queria o pássaro vermelho, o amarelo e o pocro dos angry birds.
Fiz-lhe a vontade.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Viajar
Falava com a Melissa sobre filmes em que a cidade é uma personagem. Adoro ver as pessoas, a cultura a arquitectura quando são mostradas de forma crua e sem artificialismos por um bom realizador.
Nápoles foi a última cidade que visitei sem tirar o rabo da cadeira. Graças a Matteo Garrone que tanto no Gomorra como no mais recente Reality, estreado a semana passada, filma as suas histórias nas ruas dessa cidade.
Por isso quando falo de Itália digo sempre com orgulho que conheço Roma, Florença Pisa e agora Nápoles, embora nesta, nunca lá tenha posto os pés.
Nápoles foi a última cidade que visitei sem tirar o rabo da cadeira. Graças a Matteo Garrone que tanto no Gomorra como no mais recente Reality, estreado a semana passada, filma as suas histórias nas ruas dessa cidade.
Por isso quando falo de Itália digo sempre com orgulho que conheço Roma, Florença Pisa e agora Nápoles, embora nesta, nunca lá tenha posto os pés.
desenho de Simo Capecchi
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Afinal também sou pai
O meu pai é um desprendido. Acho que herdei isso dele. Apesar de gostar das pessoas que são minhas amigas e de gostar da minha família, passo meses sem lhes ligar. Um telefonema ou isso. Desde que o Gabriel nasceu tem sido pior, mas não faço por mal, simplesmente não me lembro de lhes dar uma apitadela, fazer conversa de circunstância, que está tudo bem e que qualquer dia combinamos qualquer coisa, porque é sempre assim que as chamadas telefónicas acabam comigo. Depois passam-se semanas até que combine qualquer coisa.
A minha relação com o meu pai também é assim, mas pior, porque ele, tal como eu, passa a vida no seu ritmo e deixa os que ama nos seus afazeres e não diz nada.
Neste Domingo adiantei-me. Ele tem andado com os problemas de saúde que por vezes o atiram para o hospital. Coisas sem grande importância, felizmente, mas que me assustam. Não gostava de dizer um dia que passei pouco tempo com ele. Assim prometi recuperar o tempo perdido e estar menos ausente. Fomos à Gulbenkian ver uma exposição de pintura sobre o mar e passámos um tempo porreiro os dois. Partilhamos o gosto pelo desenho e ficámos a ver aquelas obras enquanto comentávamos a destreza com que os pintores faziam o céu e a água.
No carro enquanto o levava a casa ouvimos o Moon Safari dos Air que estava no leitor de Cds e o meu pai pediu para gravar. Fomos para casa dele e ficámos os dois sentados no sofá a ouvir o disco e senti-me mesmo bem.
A minha relação com o meu pai também é assim, mas pior, porque ele, tal como eu, passa a vida no seu ritmo e deixa os que ama nos seus afazeres e não diz nada.
Neste Domingo adiantei-me. Ele tem andado com os problemas de saúde que por vezes o atiram para o hospital. Coisas sem grande importância, felizmente, mas que me assustam. Não gostava de dizer um dia que passei pouco tempo com ele. Assim prometi recuperar o tempo perdido e estar menos ausente. Fomos à Gulbenkian ver uma exposição de pintura sobre o mar e passámos um tempo porreiro os dois. Partilhamos o gosto pelo desenho e ficámos a ver aquelas obras enquanto comentávamos a destreza com que os pintores faziam o céu e a água.
No carro enquanto o levava a casa ouvimos o Moon Safari dos Air que estava no leitor de Cds e o meu pai pediu para gravar. Fomos para casa dele e ficámos os dois sentados no sofá a ouvir o disco e senti-me mesmo bem.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Adoro que ela saiba o que me faz feliz
Se me perguntarem qual é a qualidade que gosto mais na Melissa é a qualidade de achar completamente normal eu interessar-me por coisas que não têm interesse nenhum para a nossa vida conjugal. Posso interessar-me por poker, desenho, selos, baseball, cricket, faxes dos anos 90, o jogo do peão, jogos de tabuleiro ou mini-golf que nunca não tece qualquer comentário sobre o assunto.
Acho isso impressionante porque não estou a ver todos os homens poderem chegar à mesa de jantar e dizer:
"Querida, não te importas de dar banho ao nosso filho e pô-lo a dormir porque vou a casa do Pedro jogar um jogo de tabuleiro que ele comprou e só devo chegar às duas da manhã?"
Acho que são mesmo poucos os homens que se podem gabar de, ao deitar, terem um voucher para um curso de desenho debaixo da almofada ou então, enquanto estão no parque a tomar conta do seu filho, poderem ouvir dos lábios da mulher.
"Não queres desenhar isto?"
Mesmo que o desenho seja uma porcaria.
Acho isso impressionante porque não estou a ver todos os homens poderem chegar à mesa de jantar e dizer:
"Querida, não te importas de dar banho ao nosso filho e pô-lo a dormir porque vou a casa do Pedro jogar um jogo de tabuleiro que ele comprou e só devo chegar às duas da manhã?"
Acho que são mesmo poucos os homens que se podem gabar de, ao deitar, terem um voucher para um curso de desenho debaixo da almofada ou então, enquanto estão no parque a tomar conta do seu filho, poderem ouvir dos lábios da mulher.
"Não queres desenhar isto?"
Mesmo que o desenho seja uma porcaria.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Pessoas que sentem coisas
A razões porque não tiro mais cursos para desenvolver a minha veia artística é porque as pessoas nesses sítios começam logo a sentir coisas na primeira aula e se há coisa que detesto é ver pessoas a sentir.
Uma vez num workshop de escrita criativa, uma aluna, com esperança em ser escritora, teve vinte minutos a descrever o seu estado de espírito. Que via a sua imagem reflectida nas janelas do carro, que se sentava no adro da igreja, que fumava cigarros e olhava para o fumo que escapava dos seus lábios finos e que, na verdade, se sentia assim, a dissipar-se no mundo como um fumo de cigarro. Montes merdas apenas para dizer que estava aborrecida. Ainda por cima, no fim da leitura, toda a gente achou as palavras da rapariga lindas, o que a encheu de orgulho e motivada para continuar a escrever daquela maneira.
Noutra aula de escrita, essa contaram-me, a formadora pôs os alunos a dançarem com uma folha branca na mão. E eles dançaram.
A última porque passei, foi numa aula de desenho, em que nos foi pedido para passar a palma da mão, antes de iniciarmos o trabalho, pela folha em que iríamos desenhar de forma a podermos sentir o movimento.
Eu passei, claro, para não parecer mal. Fechei os olhos e tudo mas o desenho não saiu melhor.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Pingue Pingue
Os dias chuvosos atrasam toda a gente. Não gosto de andar de chapéu de chuva e fico sempre arreliado porque tenho a tendência de me esquecer dos meus em todo o lado. A Melissa fica encarregue de repor o stock. Não sei como é que ela faz isso mas compra-me sempre chapéus femininos. Em consequêcia das opções da minha mulher, nos dias cinzentos ando sempre com um ar amaricado o que não aprecio particularmente. De maneira que prefiro arriscar a sorte e andar pelas ruas sem protecção. Na maior parte das vezes chego sempre atrasado a todo o lado, porque tenho de ficar abrigado nos toldos à espera que o dilúvio passe ou acalme.
No outro dia fiquei meia hora sentado a ouvir as gotas a bater na pala da estação da Parede.
Desta vez não fiquei chateado!
No outro dia fiquei meia hora sentado a ouvir as gotas a bater na pala da estação da Parede.
Desta vez não fiquei chateado!
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