quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Marvão

Durante as nossas férias, andámos pelo Alentejo e descobrimos o Marvão. A Aldeia parecia deserta e não fossem os turistas para cima e para baixo, não se via ninguém.
Estava muito calor e entrámos num café para aproveitar o ar condicionado e comer um gelado. Os clientes estavam a assistir um canal de televisão inteiramente dedicado a espalhos postados no Youtube. Nem sabia que isso existia. Eu o Gabriel fartámo-nos de  rir com aquilo.
Descemos e fomos até Portagem onde tomámos banho numa barragem. Fiquei a olhar o castelo de Marvão e uma ponte romana que estava ali mesmo ao lado.
Rabisquei.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Andanças

Estivemos dois dias no Andanças, agora que se mudou para perto de Castelo de Vide.
Eu e a Melissa fomos cheios de esperança, queríamos fazer alguns workshops mas o Gabriel não deixou. Andou sempre a chatear e a meter-se onde não era chamado. A área reservada para as crianças não pareceu muito segura e tivemos de andar com o Buchas atrás.
Não se perdeu tudo, sempre se ouviu música e eu desenhei alguma coisa. Aliás, é mesmo um bom sítio para se estar à sombra a rabiscar.
Para o ano corre melhor.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Desenhar depois do trabalho

Ontem tivemos a última aula de desenho e o ambiente não podia ser melhor. Combinámos ir todos para o Martim Moniz e estivemos a desenhar à sombra, numa esplanada.
Lisboa está cheia de turistas e as esplanadas enchem facilmente. O ambiente na cidade é muito bom e sabe bem ficar na rua a aproveitar a temperatura e a luz.
Vou sentir falta disto.




terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carruagens em Agosto

Em Agosto os comboios andam vazios e é difícil que alguém se sente à minha frente.
Num horário nocturno e sem nada para fazer, sentei-me lá atrás e desenhei para à frente para ver se conseguia resolver o problema de perspectiva, essa puta!
No dia seguinte, felizmente tive mais sorte, apareceu-me um jovem acabado de sair da caixa dum banco e pôs-se para ali a jogar Angry Birds todo torto. Não sei quantas estrelas ganhou, mas de vez em quando abanava a cabeça.





sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Buchas, vá lá pedir a conta

Bem, apesar de todo o trabalho que uma criança dá aos pais, também é verdade que em certas ocasiões dá um jeito bestial.
Nos restaurantes cheios, por vezes é complicado conseguir chamar a atenção do empregado de mesa que, enfim, não têm mãos a medir com as solicitações dos clientes.
O Gabriel é uma criança que não tem vergonha nenhuma em falar com estranhos e, para ele, o acto de chatear alguém é uma tarefa que lhe dá um certo prazer.
Por isso, sempre que eu e a Melissa queremos pedir a conta ou um simples café e, apesar das tentativassomos ignorados pelos empregados de mesa, mandamos o Gabriel tratar do assunto que, em sequência do seu poder de persuasão, garanto, em menos de um minuto o empregado vem logo a correr ter connosco.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

The National

Sempre gostei deles. Mesmo agora, quando a crítica especializada não caiu de amores pelo último disco, eu acho-o tão bom como os outros e oiço-o todos os dias.
Admito que não serão as pessoas mais alegres do mundo mas este vídeo é tão porreiro e tem tanto sentido de humor que uma pessoa até fica animada, mesmo que a letra seja de cortar à faca.
Eles vêm cá para Novembro e como o concerto começa às 20:30 (gosto de coisas que começam cedinho, à inglesa) vou ver se a Melissa me fica com o puto para eu ir ali comprar o bilhete.


Para a próxima vou sozinho

Fomos dar sangue a um colégio de Lisboa e apesar de tudo correr bem comigo, a Melissa desmaiou três vezes. Todos os enfermeiros andavam atrás dela e acabou por se transformar numa celebridade local porque havia pessoas de cinco em cinco minutos a chegarem perto de nós e a perguntarem se estava a sentir-se bem.
Aproveitámos a atenção para comer bolachas e beber sumo que a equipa de colheita tinha para dar aos dadores.

Enquanto esperava que ela voltasse ao normal, aproveitei que o buchas foi chatear uma senhora para lhe pintar a cara de Hulk para observar duas pessoas sentadas num banco de madeira a conversar numa bela manhã de sol. Que era aquilo que eu gostava de fazer se não lhe tivesse dado tantos badagaios. 


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Se querem pintar, pintem paredes

Se há moda parva neste tempos é a pintura facial. Não há o raio duma festa com putos em que não encharquem a tromba do buchinhas com tinta.
Desta vez foi com verde porque ele quis ser o Hulk.
Como tivemos de ir a mais sítios, o pequeno andou assim, naqueles preparos, por todo o lado.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Primeiro dia de Agosto

A Melissa está sempre a oferecer-me cursos de desenho. Não se cansa de incentivar este recente interesse. Pode até ser uma forma de dizer querido, desenhas tão mal que um dia ainda vais envergonhar a família, por isso, e para nos pouparmos ao embaraço, aprende qualquer coisa que eu não me importo de pagar.
Desta vez entregou-me aos bons ofícios da Nextart e do formador Filipe Matos e proporcionou-me um belo fim de tarde de Agosto.
Fomos para a Praça do Comércio desenhar e foi bastante porreiro, primeiro porque o grupo era bastante simpático e depois porque o meu trabalho deprime-me tanto que soube bem respirar a luz de Lisboa e ter a oportunidade de fazer coisas por prazer.
O Filipe ensinou-me a usar sombras e a não ter medo de riscar o desenho com pretos. Que os contrastes são porreiros e o desenho ganha muito com eles. E com este ensinamento simples ganhei mesmo o dia.
Ficámos todos contentes com os resultados. 



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Uma pessoa precisa de se ocupar

Continuando a esbanjar desenhos para aqui do meu caderno que agora terminou, descobri que tenho de arranjar outro hobby. Tomei consciência que, quase sem dar por isso, fiquei a ver a final do Big Brother no Domingo passado.
Se uma pessoa tem tempo para ver o Big Brother é porque tem tempo para aproveitar.
Confrontada com o evidência, a Melissa chutou a culinária. Acho pertinente a obervação, pelo menos poderei dar algum gozo à família porque os desenhos, pronto, como se vê, não servem para nada.







quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fim de Viagem

O meu caderno chegou ao fim, cheio de desenhos o que muito me alegrou. Chegar ao fim de uma coisa é sempre porreiro.
Quando penso na quantidade de frustrações que este caderno guarda fico admirado de nunca ter desistido e voltado despender o meu tempo de viagem para a Parede a ler livros. Deve ser da idade, estou mais velho e tenho mais paciência para mim e já nao me importa o resultado.
Fica aqui então uma compilação dos melhorzitos para poderem gozar à vontade.





quarta-feira, 17 de julho de 2013

Família

Sempre que o pai da Melissa vem a Portugal a vida transforma-se num correpio de refeições em grupo. Desta vez fomos até Caxias e entrámos numa pizzaria junto à praia onde se apanhava fresco e se podia ver o azul do mar e do céu.
O Gabriel não quis a cadeira dos pequeninos e sentou-se na dos grandes onde passou algum tempo a desenhar as coisas dele que geralmente têm como ponto de partida uma cara com pés e mãos.
Uma vez perguntei-lhe porque é que ele não desenha também o corpo das pessoas. Não soube responder, ficou para ali a olhar para mim e a pensar numa resposta em silêncio. Depois riu-se, claro, que é o que ele faz sempre que percebe que o estou a testar.
Guardo sempre os desenhos dele.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Boa Vida

O Gabriel adora hotéis. Fica sempre a pensar que é a casa nova. Deve gostar do estilo de vida. Piscina, almoçar e jantar sempre fora, dormir até tarde e comer até rebentar ao pequeno-almoço e, acima de tudo, não ter regras para nada.

Por isso não é de estranhar que agora, quando fomos passar fora um fim-de-semana, andasse todo contente a mexer em gavetas, armários e portas.
Foi só um fim-de-semana mas quando fizemos o check-out, ele ficou amuado e saiu contrariado com os braços cruzados e a beiça feita.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Mães que olham para os filhos a nadar

Um dos momentos mais doces da minha semana é quando o Gabriel vai à aula de natação. Todas as sextas. Adoro ficar para ali a vê-lo dar mergulhos de golfinho e a ter medo de se mandar da borda da piscina.
A professora atira-o como um boneco e aos poucos o buchas vai perdendo o receio da água. Como é muito pequeno tem dificuldade em pôr a cabeça fora de água para respirar e por isso engole muito pirolitos. Mas não é suficiente para perder a alegria de estar ali.
No fim de tomar banho e cantar no duche as músicas do Rei Leão para todo o balneário ouvir vamos comer uma pizza.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Chamam a isto flirt?

O mais certo é ter de dormir hoje no sofá quando a Melissa souber disto.
Uma das coisas fixes dos portugueses é serem um bocadinho envergonhados e isso dá jeito quando estamos num comboio a desenhar a pessoa que se senta à nossa frente. Na verdade, e porque desenho muito mal, sempre que começo um desenho tenho um medo terrível que a pessoa desenhada a determinada altura se levante para ver o fruto do meu trabalho. Seria, e porque os desenhos nem sempre ficam parecidos, uma das maiores humilhações da minha vida. Enfim, essa sensação de perigo excita-me também um bocado, não vou dizer que não e também é uma das motivações para me esforçar mais do que me esforçaria se não corresse esse risco.
No outro dia estava eu a tentar esboçar a rapariga que estava à minha frente quando ela, sentindo-se observada e desvendando o motivo, pega no telemóvel e estica-o para mim fotografando-me nos meus afazeres.
Não tive culpa de nada, que isso fique bem claro!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Felicidade dum pai que avermelhou

No outro dia descobrimos que, tirando a malta estrangeira, já ninguém apanha escaldões. Após tantos anos a bater na mesma tecla, os veraneantes chegaram à conclusão que o sol faz mesmo mal. Por isso toda a gente usa protector solar.
Os estrangeiros, por seu lado, devem ter um código qualquer entre eles em que o escaldão representa um status de classe média. Chegam ao trabalho vermelhos e toda a gente os inveja. É estúpido mas eles acham fixe à brava.
No fim-de-semana passado estivemos num sítio onde nunca tínhamos estado. Na piscina oceânica da praia grande. Foi porreiro porque o dia estava chocho, a água do mar fria como o caraças e aquela piscina foi uma boa opção para conseguirmos ir ao banho e aproveitar as mini-férias.
O Buchas é que se entreteu como um doido na piscina dos pequeninos. A água dava-lhe pelos joelhos e isso deu-nos descanso. A Melissa continuou a ler os seus The Man Booker Prices no Kobo e eu desenhei o ambiente com aguarelas e tudo.
De vez em quando aparecia o Buchas a tremer e a contar alguma coisa sobre super-heróis. Adoro quando ele treme e lhe pergunto se está com frio e ele mente-me dizendo que não, não tem frio nenhum, com medo que o tire da piscina.
Entreti-me tanto com os desenhos que no fim do dia, por ironia, fiquei todo vermelho e a noite custou-me a passar.
Mas valeu a pena.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pouca-Terra

As viagens de comboio são sempre um ponto de encontro com a melancolia. Os passageiros parecem todos desanimados e não existe na sua face um vislumbre de ânimo.
As vidas suburbanas arrastam-se lânguidas pelos dias e nem a chegada ao destino as consegue alegrar.




Turquia

Adorei estes desenhos de Harika.





domingo, 2 de junho de 2013

Companhia

Estivemos a passear por Cascais e desta vez levei comigo o diário gráfico do Buchas que comprei para ele desenhar se um dia lhe desse na gana.
No jardim da Gandarinha, ficou sentado ao meu lado e pediu para fazer um desenho. Queria desenhar os Montros e Companhia, um filme de que gosta muito e que já viu umas 50 vezes.
Disse-lhe que era fácil, que só teria de pensar nas formas geométricas do Sulley e do Mike e também na cor.
Para o Sulley escolheu um rectângulo e o azul e aconselhei-o a fazer uns riscos para fingir que era o pêlo. Para o Mike escolheu o verde e uma circunferência. Lembrei-o que o Mike tem uns corninhos em cima da cabeça e o Sulley uma cauda e que era melhor não se esquecer destes pormenores no desenho.
No fim tudo correu tudo bem e ficámos os três a olhar para o caderno do buchas e cobrimo-lo de beijos, que é a nossa forma de agradecer os seus 97cm de talento.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

A arte

Hoje fartei-me a sério do trabalho e saí mais cedo. Fui ter com o Gabriel e a Melissa e andámos por Belém a passear pelo Jardim, pelos Jerónimos e ainda deu tempo para passar pela Colecção Berardo a pedido do Gabriel que tem um fascínio algo macabro por uma instalação que por lá anda feita pelo Tony Oursler.
Enquanto estávamos sentados na Igreja dos Jerónimos, a Melissa ficou pensativa e perguntou o quão brega se pode ser para se querer casar ali.
Na colecção Berardo o Gabriel continuou fascinado pelo pequeno boneco esmagado pelas pernas dum sofá. Desta vez disse-lhe que o Boneco lhe estava a pedir para sair dali, que não o queria ali e que ele era um pateta, um palerma e que se devia ir embora.
O Gabriel ficou a olhar, assimilou e ofendido chegou-se perto e ripostou aos gritos.
- Palerma és tu, pateta!