Hoje fartei-me a sério do trabalho e saí mais cedo. Fui ter com o Gabriel e a Melissa e andámos por Belém a passear pelo Jardim, pelos Jerónimos e ainda deu tempo para passar pela Colecção Berardo a pedido do Gabriel que tem um fascínio algo macabro por uma instalação que por lá anda feita pelo Tony Oursler.
Enquanto estávamos sentados na Igreja dos Jerónimos, a Melissa ficou pensativa e perguntou o quão brega se pode ser para se querer casar ali.
Na colecção Berardo o Gabriel continuou fascinado pelo pequeno boneco esmagado pelas pernas dum sofá. Desta vez disse-lhe que o Boneco lhe estava a pedir para sair dali, que não o queria ali e que ele era um pateta, um palerma e que se devia ir embora.
O Gabriel ficou a olhar, assimilou e ofendido chegou-se perto e ripostou aos gritos.
- Palerma és tu, pateta!
sexta-feira, 31 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Passsamos imenso tempo do nosso fim-de-semana nos parques de Cascais. Ao contrário da nossa ideia de paternidade, quando a Melissa ainda estava grávida e o futuro era pintado como um anúncio de toalhitas Dodot, aquela imagem do miúdo a brincar com os outros miúdos enquanto lemos um livro no banco, descontraídos e felizes, está muito longe de corresponder à realidade. Já tentámos algumas vezes mas é muito difícil conseguirmos ter um parágrafo de descanso sem olharmos para ver o que ele anda a fazer e, principalmente, termos a certeza que não há perigo de levar com um baloiço na cabeça.
O Parque dos Sapos fica perto da nossa casa e é o nosso jardim preferido. Tem Sapos e agora também borboletas por isso é que o chamamos assim. Além disso o relvado fica mesmo em frente à esplanada o que sossega a preocupação. Vamos muito para lá mas o Gabriel não gosta de jogar à bola e desperdiça assim todo aquele relvado central impecavelmente cortado e arranjado.
Gostava muito que o Gabriel jogasse à bola. Não por causa de poder no futuro ser um futebolista cheio de massa, mas porque é mais fácil arranjar amigos quando se dá uns pontapés. Custa-me vê-lo para ali sozinho a andar de escorrega enquanto todos os outros putos se juntam para uma peladinha.
A Melissa diz que ele precisa dum irmão e eu não sei se ela tem razão.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Banhos quentes
O nosso Verão parece sempre maior que o dos outros porque fazemos isso todos os dias.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Primavera
Comprei umas canetas de filtro Bic por três euros no hipermercado, fui para os jardins e pus-me a desenhar flores enquanto o Gabriel imitava o Homem de Ferro na relva.
Cheirava bem.
Cheirava bem.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Ser macho é isto
Nunca fui homem de grandes feitos na Bricolage e nestas coisas as mulheres esperam sempre ter em casa alguém parecido com o Manny Mãozinhas que lhes satisfaça todos os pedidos que envolvam um berbequim e umas coisas de plástico a que, muito carinhosamente, chamam de buchas. Com a transmissão de programas como Querida Mudei a Casa onde machos de aspecto limpinho resolvem todos os problemas, para gente como eu, habituada a nunca pegar num Black and decker tornou-se levemente complicado enfrentar a cara metade quando esta quer, por exemplo, colocar uma simples prateleira na parede.
O recente interesse da Melissa no crescimento das plantas, obrigou-me a ter de montar uma prateleira na parede da sala. Chateou-me tanto a cabeça para montar aquilo que já não a podia ouvir mais.
Fui ver ao youtube como se fazia e pronto, despi a t-shirt e lá fiz a coisa.
Andei todo inchado durante um mês. E ela também.
domingo, 28 de abril de 2013
Teatro D Maria II
Mais uma tentativa entre os grandes.
Desta feita no Teatro D. Maria II onde passámos o Sábado todo a desenhar e a conhecer os cantos ao edifício.
Os desenhos, como seria de prever, não ficaram grande coisa, mas estes dois ainda é como outro.
Oh!
Desta feita no Teatro D. Maria II onde passámos o Sábado todo a desenhar e a conhecer os cantos ao edifício.
Os desenhos, como seria de prever, não ficaram grande coisa, mas estes dois ainda é como outro.
Oh!
quinta-feira, 18 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Deixem a malta em paz
Acho que as educadoras têm uma especial atracção por lixar a vida de quem cria. Detesto trabalhos de infantário. As porcarias feitas com material reciclável e isso. Felizmente tanto eu como a Melissa concordamos em mandar tudo fora. Só ficamos com duas ou três coisas por ano, normalmente desenhos em que vimos alguma pertinência artística.
Agora que andamos à procura duma nova escola para o Buchas, a nossa escolha vai com toda a certeza recair sobre a instituição que enviar menos trabalhos de casa aos pais. Já andamos a sondar algumas.
Ainda no outro dia me contaram que um pai foi convidado ao infantário do filho para comemorar o dia da paternidade.
Depois de alguma brincadeira inicial o desafio foi lançado. Os pais tinham de fazer um desenho das suas crias. Que olhassem para elas e que fizessem o melhor que sabiam.
Foi um tormento.
Bem, seja como for, na minha casa o puto tem mais jeito que o pai.
Agora que andamos à procura duma nova escola para o Buchas, a nossa escolha vai com toda a certeza recair sobre a instituição que enviar menos trabalhos de casa aos pais. Já andamos a sondar algumas.
Ainda no outro dia me contaram que um pai foi convidado ao infantário do filho para comemorar o dia da paternidade.
Depois de alguma brincadeira inicial o desafio foi lançado. Os pais tinham de fazer um desenho das suas crias. Que olhassem para elas e que fizessem o melhor que sabiam.
Foi um tormento.
Bem, seja como for, na minha casa o puto tem mais jeito que o pai.

quarta-feira, 20 de março de 2013
Cada um com a sua
Esta família anda desencontrada quanto a amores e ódios.
O Fernando não gosta nada de pessoal que passa a vida em Shoppings e que facilmente embarca numa devoção inconsciente a marcas. Odeia o capitalismo e gosta de viver uma vida sem grandes responsabilidades.
A Melissa gosta muito de passear nos shoppings, ver as monstras e depositar quase todos seus momentos diários nas redes sociais, é uma esposa e mãe cheia de responsabilidade familiar, mas detesta pessoal que é nariz empinado nos seus gostos e que gasta o tempo a escolher fatos de treinos para ir a festivais de cinema.
Eu, gosto de malta com bom gosto e aprecio os fatos de treino e o ambiente dos festivais de cinema embora não suporte os posts nas redes sociais a armar ao pingarelho, do género a minha vida é melhor que a tua e tenho melhor gosto que tu. Por outro lado adorava ter um partime de mascote.
O Buchas gosta de tudo mas não suporta mascotes.
terça-feira, 12 de março de 2013
Voucher
As mulheres compram talões de desconto para cabeleireiros que não conhecem e depois o corte não fica nada de jeito e têm vergonha de mostrar o cabelo.
terça-feira, 5 de março de 2013
João
O João está sempre com sono. Mal o dia começa e se levanta da cama apetece-lhe logo voltar para ela. Não consegue trabalhar em condições porque o trabalho aborrece-o e fá-lo bocejar muitas vezes durante o dia. Sempre que vai a um sítio tratar de alguma papelada, ao banco, às finanças ou a um centro de saúde, enquanto espera pelo número da senha, adormece sentado e, de vez em quando, até deixa passar a sua vez.
Apesar de não ligar nada a desporto, no outro dia apeteceu-lhe ver um jogo de futebol. Comprou cerveja, amendoins e sentou-se no sofá. Mal o jogo começou deixou-se adormecer e já não viu nada.
O João bebe muitos cafés curtos. O médico diz-lhe para abrandar, que tanto café lhe faz mal à saúde, mas o João acha que só assim é que consegue ficar acordado e fazer as coisas que tem para fazer.
Gostava de ler mais do que lê. Mas tem pouco tempo e a mulher ofereceu-lhe um livro do Lovecraft. Durante as viagens de comboio abre-o, mas passados meia dúzia de parágrafos adormece e não consegue avançar do primeiro capítulo.
Ao fim do dia, lava os dentes e põe o despertador para as sete da manhã. Quando se deita na cama, ao contrário do que é normal, fica sem sono e não consegue adormecer. Passa a noite a revirar-se e a ver os números do despertador a correr.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Meter conversa
De vez em quando acontece-me. Por uma conjugação de factores infelizes fico sozinho na cidade sem nada para fazer e com muitas horas para desperdiçar.
Em condições normais não haveria problema. Podia ir ao cinema, a uma exposição ou outra coisa qualquer, mas não desta vez. Desta vez não podia fazer nada disso, tinha mesmo de deambular por aí.
Fui para um Starbucks e fiquei lá a bebericar um balde de café e a desenhar as outras pessoas, que tal como eu pareciam esperar que alguma coisa acontecesse.
Ao meu lado uma rapariga estava à espera dum amigo e um tipo desconhecido chegou-se perto dela e disse:
“Estou aqui à espera duns amigos meus, mas não tenho nada para fazer na próxima meia hora. Importas-te que me sente aqui e te faça companhia?”
A rapariga, com algumas reservas, aceitou e o tipo sentou-se e iniciou a conversa mais chata e desinteressante que se pode parir quando dois desconhecidos se encontram. Se calhar não, pode ser que dois desconhecidos tenham mesmo esse tipo de conversa, mas pensando bem, o que raio se conversa quando não se tem referências sobre a outra pessoa?
Provavelmente a conversa até foi porreira, eu é que tive inveja de não fazer isso com as miúdas aos 20 anos.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Mães que participam
As crianças são uma coisa boa e até, em certas condições, um regalo para alma. Mas eu não sou o melhor exemplo para escrever sobre crianças porque, na verdade, e para ser honesto com todos os que têm a amabilidade de seguirem estas linhas, só gosto mesmo do meu Buchas.
No entanto, e se for a fundo nesta questão referente à infância e comportamento infantil, o que me aborrece mesmo são os pais. Tenho de confessar que não suporto pais, principalmente quando acham que as suas crias são maravilhosas e melhores do que todas as outras e fazem questão de o demonstrar nas actividades lúdicas em que se metem. Não sou ninguém para criticar seja quem for, até porque eu não devo ser o melhor exemplo que se pode encontrar no mundo sobre paternidade, o Gabriel está sempre a dizer “não diz medra pai”, mas irritam-me mesmo as mulheres que eu e a Melissa chamamos muito carinhosamente de mães que participam.
É que gostam tanto de participar que nem deixam os miúdos fazer as coisas!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
A 10ª é por nossa conta
Já chega de cartões não chega?
Gostava de poder fazer uma compra e que houvesse a boa vontade de antigamente, uma atençãozinha, que era aquilo que a minha mãe pedia sempre nas sapatarias, prontos a vestir e lojas de electrodomésticos, quando as lojas existiam nas ruas e não havia códigos de barras nas etiquetas.
Agora até o raio das cadeias de fast food têm o seu cartão. Estou mesmo farto de ter a carteira pesada com as mirabolantes exigências competitivas das multinacionais.
Embora, para ser sincero, o único cartão que dava mesmo jeito, era aquele em que, se os pais fizessem vá, 9 vontades aos seus filhos, eles ofereciam um dia sossegado aos progenitores.
Era mesmo bom ter um dia em que o Buchas comesse tudo, sem fazer perguntas, sem birras, sem desarrumar nada e sem hiperactividade desnecessária. Sem barulho, sem rotinas, sem nada, só o silêncio aconchegante duma casa de família.
Gostava de poder fazer uma compra e que houvesse a boa vontade de antigamente, uma atençãozinha, que era aquilo que a minha mãe pedia sempre nas sapatarias, prontos a vestir e lojas de electrodomésticos, quando as lojas existiam nas ruas e não havia códigos de barras nas etiquetas.
Agora até o raio das cadeias de fast food têm o seu cartão. Estou mesmo farto de ter a carteira pesada com as mirabolantes exigências competitivas das multinacionais.
Embora, para ser sincero, o único cartão que dava mesmo jeito, era aquele em que, se os pais fizessem vá, 9 vontades aos seus filhos, eles ofereciam um dia sossegado aos progenitores.
Era mesmo bom ter um dia em que o Buchas comesse tudo, sem fazer perguntas, sem birras, sem desarrumar nada e sem hiperactividade desnecessária. Sem barulho, sem rotinas, sem nada, só o silêncio aconchegante duma casa de família.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Do caraças
O que será do cinema quando as pessoas ficarem a saber que em para aí 95% dos filmes se conta sempre a mesma história. É isso que acontece, pelo menos nos Blockbusters. Sempre o mesmo, como as novelas. Disseram-me que os putos têm tendência a gostar de ouvir a mesma história porque se sentem confortáveis nela. Sim, os putos, como se os adultos não gostassem dum bom e suculento replay. Há quem diga, com razão que pode ser sempre a mesma coisa, mas a forma de a contar é diferente. É verdade mas quando se passa a vida a ver filmes, topa-se logo a coisa.
Mas nos documentários as histórias parecem ser sempre diferentes. Não têm de ter finais felizes e melhor de tudo, correspondem quase sempre a um episódio verdadeiro, com gente de carne e osso que tem comportamentos humanos, falíveis ou heroicos.
Eu a Melissa tivemos um fim-de-semana recheado a documentários que nos deixaram de olhos arregaçados de tão bons que eram. Havia twists e tudo. Os nomes deles são Searching for sugar men e The Imposter, ambos do ano passado e que, muito provavelmente, nunca chegarão às salas de cinema. Por isso, para quem se sinta curioso, pode sempre optar por os procurar na candonga.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Pássaros chateados
Depois de muitas colheres de sopa de xarope, a Melissa e o Buchas ficaram melhores das suas doenças e finalmente poderam sair de casa para um passeio em família. Já me faziam falta.
No Domingo o dia estava soalheiro e fomos andar de bicicleta para o paredão. Já não desenhava há algumas semanas e apesar do mundo da arte não ter perdido nada com isso, sentia falta dos meus traços infantis e de me sentir decepcionado ou motivado por eles.
Sentados na esplanada, tirei o caderno da mala. A ideia era fazer uma coisa simples, o mar, o céu, as rochas e os barcos lá ao fundo, tudo enquanto bebia um café. Havia um sentimento bom no ar, estava muita gente a andar dum lado para o outro, a fazer exercício, a passear os cães ou só a namorar à beira mar. É bom quando o sol aparece depois duma semana a chover.
O meu momento artístico coincidiu com o Buchas fartar-se de pedalar e de se esconder dos cães que apareciam a meter-se com ele. Foi para o pé de mim e começou a opinar. Queria o pássaro vermelho, o amarelo e o pocro dos angry birds.
Fiz-lhe a vontade.
No Domingo o dia estava soalheiro e fomos andar de bicicleta para o paredão. Já não desenhava há algumas semanas e apesar do mundo da arte não ter perdido nada com isso, sentia falta dos meus traços infantis e de me sentir decepcionado ou motivado por eles.
Sentados na esplanada, tirei o caderno da mala. A ideia era fazer uma coisa simples, o mar, o céu, as rochas e os barcos lá ao fundo, tudo enquanto bebia um café. Havia um sentimento bom no ar, estava muita gente a andar dum lado para o outro, a fazer exercício, a passear os cães ou só a namorar à beira mar. É bom quando o sol aparece depois duma semana a chover.
O meu momento artístico coincidiu com o Buchas fartar-se de pedalar e de se esconder dos cães que apareciam a meter-se com ele. Foi para o pé de mim e começou a opinar. Queria o pássaro vermelho, o amarelo e o pocro dos angry birds.
Fiz-lhe a vontade.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Viajar
Falava com a Melissa sobre filmes em que a cidade é uma personagem. Adoro ver as pessoas, a cultura a arquitectura quando são mostradas de forma crua e sem artificialismos por um bom realizador.
Nápoles foi a última cidade que visitei sem tirar o rabo da cadeira. Graças a Matteo Garrone que tanto no Gomorra como no mais recente Reality, estreado a semana passada, filma as suas histórias nas ruas dessa cidade.
Por isso quando falo de Itália digo sempre com orgulho que conheço Roma, Florença Pisa e agora Nápoles, embora nesta, nunca lá tenha posto os pés.
Nápoles foi a última cidade que visitei sem tirar o rabo da cadeira. Graças a Matteo Garrone que tanto no Gomorra como no mais recente Reality, estreado a semana passada, filma as suas histórias nas ruas dessa cidade.
Por isso quando falo de Itália digo sempre com orgulho que conheço Roma, Florença Pisa e agora Nápoles, embora nesta, nunca lá tenha posto os pés.
desenho de Simo Capecchi
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Afinal também sou pai
O meu pai é um desprendido. Acho que herdei isso dele. Apesar de gostar das pessoas que são minhas amigas e de gostar da minha família, passo meses sem lhes ligar. Um telefonema ou isso. Desde que o Gabriel nasceu tem sido pior, mas não faço por mal, simplesmente não me lembro de lhes dar uma apitadela, fazer conversa de circunstância, que está tudo bem e que qualquer dia combinamos qualquer coisa, porque é sempre assim que as chamadas telefónicas acabam comigo. Depois passam-se semanas até que combine qualquer coisa.
A minha relação com o meu pai também é assim, mas pior, porque ele, tal como eu, passa a vida no seu ritmo e deixa os que ama nos seus afazeres e não diz nada.
Neste Domingo adiantei-me. Ele tem andado com os problemas de saúde que por vezes o atiram para o hospital. Coisas sem grande importância, felizmente, mas que me assustam. Não gostava de dizer um dia que passei pouco tempo com ele. Assim prometi recuperar o tempo perdido e estar menos ausente. Fomos à Gulbenkian ver uma exposição de pintura sobre o mar e passámos um tempo porreiro os dois. Partilhamos o gosto pelo desenho e ficámos a ver aquelas obras enquanto comentávamos a destreza com que os pintores faziam o céu e a água.
No carro enquanto o levava a casa ouvimos o Moon Safari dos Air que estava no leitor de Cds e o meu pai pediu para gravar. Fomos para casa dele e ficámos os dois sentados no sofá a ouvir o disco e senti-me mesmo bem.
A minha relação com o meu pai também é assim, mas pior, porque ele, tal como eu, passa a vida no seu ritmo e deixa os que ama nos seus afazeres e não diz nada.
Neste Domingo adiantei-me. Ele tem andado com os problemas de saúde que por vezes o atiram para o hospital. Coisas sem grande importância, felizmente, mas que me assustam. Não gostava de dizer um dia que passei pouco tempo com ele. Assim prometi recuperar o tempo perdido e estar menos ausente. Fomos à Gulbenkian ver uma exposição de pintura sobre o mar e passámos um tempo porreiro os dois. Partilhamos o gosto pelo desenho e ficámos a ver aquelas obras enquanto comentávamos a destreza com que os pintores faziam o céu e a água.
No carro enquanto o levava a casa ouvimos o Moon Safari dos Air que estava no leitor de Cds e o meu pai pediu para gravar. Fomos para casa dele e ficámos os dois sentados no sofá a ouvir o disco e senti-me mesmo bem.
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