Quem me conhece sabe que não consigo desenhar nada de jeito. Sou muito bem intencionado, ando a praticar pelas ruas o meu traço e frequento, quando dá jeito, workshops de diários gráficos. Espero que qualquer dia a minha entrega a esta arte seja devidamente compensada.
Desde os tempos da disciplina de Educação Visual onde tinha muitas dificuldades em atingir um "3" até a estes workshops, estou habituado a ser o pior da turma. Mas não é coisa que me afecta e, para ser sincero, até acho que me dá um certo charme.
Seja como for, hoje, enquanto fazia a ronda pelos jornais, sou confrontado com a notícia dum restauro duma obra de arte em que a coisa não correu bem. A autora de tal façanha tinha 80 anos e, cheia de coragem, aventurou-se na empreitada, mas os resultados não foram nada do que se estava à espera.
Os comentários jocosos acabaram por surgir nas redes sociais e compreende-se, de facto, o recurso à piada.
Eu, que sou pessoa humilde, enalteço o esforço da senhora e confesso que não conseguiria fazer melhor. Pelo que sei uma equipa já está a tratar de resolver o assunto e desmanchar o trabalho árduo da octogenária, destruindo sem escrúpulos a originalidade da coisa.
Tenho pena!
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Cidade
Esta é a rua Joaquim Bonifácio que vejo da varanda do sítio onde trabalho.
Há dez anos, quando vim trabalhar para aqui havia mais azáfama. Carros a subir e a descer todos os dias e a todas as horas. O trânsito não parava e quando chovia não havia previsão do tempo de espera.
Os tempo mudaram. O preço da gasolina, o desemprego e a subida dos impostos amainaram a animação da estrada. Já são poucos os automóveis que por aqui passam e já não me lembro da última vez que alguém buzinou por impaciência.
O Gabriel quando viu o desenho gritou que era a cidade e eu fiquei contente por fazer algo reconhecível para uma criança de três anos.
Há dez anos, quando vim trabalhar para aqui havia mais azáfama. Carros a subir e a descer todos os dias e a todas as horas. O trânsito não parava e quando chovia não havia previsão do tempo de espera.
Os tempo mudaram. O preço da gasolina, o desemprego e a subida dos impostos amainaram a animação da estrada. Já são poucos os automóveis que por aqui passam e já não me lembro da última vez que alguém buzinou por impaciência.
O Gabriel quando viu o desenho gritou que era a cidade e eu fiquei contente por fazer algo reconhecível para uma criança de três anos.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Relação preço qualidade
Somos uma família que aprecia o sushi, nascemos com essa particularidade. Até o mais pequeno que, com os seus 3 anos, pouco sabe de gastronomia, gosta de mastigar algas e arroz avinagrado. Um dia, aproveitando a distracção dos progenitores experimentou à revelia o molho, chafurdando o sashimi no wasabi. Tocadas as pupilas gustativas do petiz, apressou-se a fazer cara de enojado proferindo o singelo aviso:
“Bagarel não gosta de pingo! Bagarel quer água!”
E assim foi feito.
Uma das grandes divergências que assolam esta família é a tendência, pouco saudável diga-se, de comer o alimento em casas de buffet, confeccionado por chineses. As coisas nunca saem bem e a minha teoria é, se é para comer sushi, mais vale pagar mais mas comer uma coisa em condições. A Melissa não se importa de comer pior mas gastar menos.
Como sempre, a opinião da matriarca prevalece e nunca saímos dos restaurantes satisfeitos!
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Aprender qualquer coisa
As formações são chatas e algumas delas não servem para nada. Tenho uma por ano e cada vez são mais desinteressantes, mas mesmo assim prefiro-as a ter de passar um dia a trabalhar.
Desde que arranjei o meu diário gráfico ando com mais tolerância ao aborrecimento. Existe sempre uma imagem que pode ser desenhada.
A colega que está ao meu lado devia ter adormecido porque oiço o seu respirar pesado e tem o punho cerrado junto à bochecha para disfarçar a falta de atenção.
Ideia boa seria se fizessem formação de desenho. Assim como assim, cada vez que estas coisas acontecem, metade dos formandos está a esboçar qualquer coisa nas suas folhas de apontamentos...
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Sai daí, já disse!
Desde pequeno que uma das brincadeiras do Gabriel é meter a cabeça na máquina de secar. Fica lá a gritar e a ouvir a sua voz modificada pelo tambor de inox.
"Está aí alguém? É o Bagarel!"
Ninguém lhe responde, nem mesmo do sítio das meias perdidas!
"Está aí alguém? É o Bagarel!"
Ninguém lhe responde, nem mesmo do sítio das meias perdidas!
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Sabe a Verão
Sabe bem sair com a família e ver o pôr-do-sol na areia da praia de Carcavelos. O Gabriel adora andar por lá a correr dum lado para o outro. Dá sempre trabalho porque apesar de lhe dizermos para não ir para a água, faz de tudo para conseguir desobedecer à nossa ordem.
Descobrimos recentemente que nos sentimos bastante bem depois destes passeios. É como ter um pedaço de férias numa semana de trabalho.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Romance na avenida
Tenho uma especial capacidade para desenhar ao sol. Aqui, sentei-me junto ao Monumento aos Mortos da 1ª Guerra Mundial na Avenida da Liberdade. Estava na sombra quando comecei, mas passado algum tempo a núvem que escondia o sol migrou e caramba, fui castigado pelos meus pecados.
Pensei desistir, mas a Avenida da Liberdade é o sítio que mais me lembra a Melissa e, por isso, merece cada grau centígrado que me queima o corpo.
A rua está ligada a bons momentos, descontraídos, cheios de sonhos e alegrias. Os filmes clássicos que vimos na Cinemateca, os festivais que assistimos no Cinema São Jorge que, aliás, foi a sala onde o buchas foi pela primeira vez ao cinema ou então as caminhadas até aos Restauradores para ver alguma peça de teatro.
Estas memórias são a minha vida.
Pensei desistir, mas a Avenida da Liberdade é o sítio que mais me lembra a Melissa e, por isso, merece cada grau centígrado que me queima o corpo.
A rua está ligada a bons momentos, descontraídos, cheios de sonhos e alegrias. Os filmes clássicos que vimos na Cinemateca, os festivais que assistimos no Cinema São Jorge que, aliás, foi a sala onde o buchas foi pela primeira vez ao cinema ou então as caminhadas até aos Restauradores para ver alguma peça de teatro.
Estas memórias são a minha vida.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Ficámos no Starbucks enquanto esperávamos o início do Prometheus.
A vista dos Starbucks de Shopping é sempre má. Não há monumentos nem ruas, só pessoas com compras a passar. Como foi final do mês o Shopping estava cheio. Bebi um café e ela um chã gelado. O filme foi porreiro mas o dia nem por isso. Parece que não conseguíamos sair do centro comercial. Gastámos imenso dinheiro em porcarias sem jeito nenhum.
A vista dos Starbucks de Shopping é sempre má. Não há monumentos nem ruas, só pessoas com compras a passar. Como foi final do mês o Shopping estava cheio. Bebi um café e ela um chã gelado. O filme foi porreiro mas o dia nem por isso. Parece que não conseguíamos sair do centro comercial. Gastámos imenso dinheiro em porcarias sem jeito nenhum.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Devagarinho
Hoje percorremos uma estrada nacional a 30km à hora. Iamos da Lourinhã ao Bombarral e passámos por inúmeras aldeias cujas casas tinham a porta colada à estrada. Deve ser muito esquisito viver assim. Ter de olhar para a esquerda antes de pôr o pé de fora do lar, mesmo para ir comprar um pacote de leite. Imagino que todos os habitantes tenham um papel A4 afixado com um pionês na porta com a frase Olha para os carros.
Mas nós andámos muito devagar não por medo de atropelar alguém, mas porque ela gosta de ver abóboras e, como por magia, os terrenos que ladeavam o asfalto estavam cheios de campos com bolas laranjas, de todos os tamanhos. Quando não havia ninguém atrás, ela parava o carro e ficava a olhar. Disse que adorava abóboras e nem sabia porquê. Na verdade fascina-a tudo o que saí da terra, mas as abóboras são especiais.
Mas nós andámos muito devagar não por medo de atropelar alguém, mas porque ela gosta de ver abóboras e, como por magia, os terrenos que ladeavam o asfalto estavam cheios de campos com bolas laranjas, de todos os tamanhos. Quando não havia ninguém atrás, ela parava o carro e ficava a olhar. Disse que adorava abóboras e nem sabia porquê. Na verdade fascina-a tudo o que saí da terra, mas as abóboras são especiais.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Podem-me chamar simples
mas adorei estar com ela e ver dois episódios de rajada do The Wire. Acredito que seja a melhor série de sempre.
domingo, 10 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Um homem casado diz ao outro
"Se soubesse o que sei hoje não me casava."
Ia-lhe perguntando:
Mas, para saber o que sabe hoje, teve de se casar primeiro, ou não?
Ia-lhe perguntando:
Mas, para saber o que sabe hoje, teve de se casar primeiro, ou não?
sábado, 2 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Burros de carga
Qual é a quantidade máxima de produtos que se consegue carregar nos braços só para poupar 2 céntimos do saco de plástico?
The Only Living Boy In New York
Descobri que um dos meus realizadores preferidos da adolescência, Hal Hartley, filmou esta maravilha para os Everything But the Girl. Começei mesmo bem o dia.
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